Tragédia da Chapecoense: um ano do acidente que parou o mundo

O dia 29 de novembro está eternizado no calendário do futebol brasileiro. Uma data que por muitos jamais será esquecida. Não por um jogo histórico, um gol de placa, uma jogada incrível, tão pouco o nascimento de algum gênio da bola, mas sim pelo sentimento de tristeza e comoção que atingiu todos os brasileiros, não somente fãs de futebol. Na manhã do fatídico dia, uma terça-feira, o Brasil acordava com a notícia de que o avião da empresa boliviana LaMia, que levava a equipe da Chapecoense para a disputa da final da Sul-Americana, havia caído. Na aeronave, além dos atletas, toda a diretoria da equipe, comissão técnica, jornalistas e os tripulantes haviam sido vítimas de um erro que custou o sonho de um time, de uma cidade, de um país.

Depois de um ano da tragédia muitas perguntas ainda se fazem presentes e talvez a principal delas é se as famílias das vítimas receberam indenização. O relatório final divulgado pela autoridade de aviação civil colombiana apontou que a aeronave estava sem combustível no momento da queda, sendo esse o motivo central do acidente.

A seguradora boliviana Bisa Seguros e Resseguros S/A se nega a pagar as indenizações às famílias das vítimas porque diz que o acidente foi provocado por um erro do piloto e, também, porque a apólice com a LaMia não tinha mais validade na época do acidente por uma série de infrações contratuais. A empresa ofereceu 200 mil dólares (R$ 646 mil) desde que todos os parentes se recusassem a entrar na Justiça, mas a ideia não avançou. O valor total que deve ser pago para os parentes dos mortos, no entanto, é de 25 milhões de dólares, cerca de R$ 80,7 milhões.

Até agora, os familiares receberam o seguro da própria Chape (14 vezes o salário de casa atleta), o da CBF (12 vezes o salário) e valores de rateios de doação e de renda de alguns amistosos do time catarinense pelo Brasil e no exterior.O técnico escolhido para a reconstrução do clube foi Vagner Mancini , mas os resultados ruins dentro de campo culminaram em sua demissão. Vinicius Eutrópio assumiu o comando do time e ficou pouco mais de dois meses no cargo, dando lugar a Gilson Kleina, que conseguiu livrar a equipe da queda para Série B.

Dos muitos jogadores que chegaram, alguns não vingaram e mal foram aproveitados, como Zeballos, Diego Renan e Dodô, por exemplo, além dos goleiros Artur Moraes e Elias. O atacante Niltinho, frequentemente na reserva, trocou a Chape pelo Atlético-GO, enquanto o zagueiro Victor Ramos perdeu espaço e rescindiu seu contrato. Já outros atletas que estavam em bom momento acabaram se transferindo para o futebol do exterior: o atacante Rossi foi negociado com o Shenzhen, da China, o volante Andrei Girotto acertou sua transferência ao Nantes, da França, e o zagueiro Nathan também saiu no meio da temporada, rumo ao Servette, da Suíça.

Relembre Em 2016, depois de ser eliminada na Copa do Brasil para o Atlético Paranaense, a Chapecoense foi disputar a Sul-Americana, como previa o regulamento do mata-mata nacional.

Começou a competição batendo o modesto Cuiabá Esporte Clube. Depois, partiu para um desafio enorme, enfrentar o Independiente da Argentina, um dos maiores campeões continentais da América do Sul. Conseguiu a classificação. Passou pelo Júnior Barranquilla nas quartas de final e nas semis encarou o San Lorenzo, time do Papa Francisco. Chegar até a final não foi fácil. Uma defesa monumental do goleiro Danilo, caprichosamente no último minuto da partida, deu a Chape a oportunidade de disputar seu primeiro título internacional.

Além dos quase 210 mil habitantes da cidade de Chapecó, segundo o levantamento feito pelo IBGE este ano, a Chapecoense conquistava o Brasil com sua determinação, profissionalismo e carisma. Com a Arena Condá, casa do Alviverde, sempre cheia, a equipe modesta, comparada a outros times da elite nacional, dava uma aula de comprometimento e trabalho bem feito, dentro e fora dos campos.

Depois da classificação, a expectativa para uma possível conquista histórica dominou o país. A equipe ganhava a torcida de quase todos os brasileiros. A partida seria a primeira final que o clube disputaria fora do Brasil. Seria.

Depois de embarcar na segunda-feira, dia 28 de novembro, no aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo, a equipe parou na cidade de Santa Cruz de La Sierra, onde a delegação enfim entrou no avião da empresa Lamia, com destino a Medellín, onde disputaria a primeira partida. No entanto, o pouso na capital colombiana nunca ocorreu.

Das 77 pessoas na aeronave, apenas seis pessoas sobreviveram ao acidente. Entre os atletas, o goleiro, Jackson Follman, o lateral, Alan Ruschel e o zagueiro Neto. Também resistiram a queda da aeronave, o jornalista Raphael Henzel, a comissária Ximena Suarezs e o técnico de voo Erwin Tumiri.

O Atlético Nacional abriu mão do título. A Chapecoense foi declarada campeã da Copa Sul-Americana de 2016.

Para se manter viva em 2017, a Chapecoense contou com o apoio e solidariedade de muitos parceiros. Diversos times brasileiros disponibilizaram jogadores para o clube remontar o elenco, torcedores de outras equipes se associaram ao Verdão do Oeste para ajudar o clube financeiramente, além de doações organizadas por diversas frentes e entidades. Naquele momento, a Chapecoense tinha se tornado uma espécie de filho do futebol brasileiro, onde todos se sentiam responsáveis diante dos acontecimentos.

Como uma fênix, a Chapecoense teve que perder tudo para renascer com uma força ainda maior do que a que tinha, quando chegou a seu maior momento esportivo.

A equipe deixou de ser um time modesto do oeste catarinense para se tornar um time mundial, reconhecido em qualquer lugar do mundo e respeitado por todos. Para a Chape, taças e tempo de clube não são, necessariamente, sinônimos de grandeza. Na Arena Condá, cada dia vivido, superado e renascido representa um novo título. Que o grito que ecoou na voz de muitos torcedores permaneça no coração de todos os brasileiros: Vamos, vamos, Chape!

Na data que marca 365 dias de saudade, a pretensão principal é eternizar memórias. Para isso, o clube trabalhou intensamente na produção de um espaço especial: um túnel com várias recordações dos eternos guerreiros.

Localizado na parte interna da Arena Condá, no acesso das equipes visitantes, o túnel recebeu 48 fotos de, em média, 2 metros de altura. Muitas das imagens são inéditas e retratam as vítimas diretamente ligadas ao clube. Elas foram selecionadas, a fim de ilustrar momentos emblemáticos, jogos memoráveis, comemorações de gols e defesas e momentos descontraídos do grupo, que tinha, como principal característica, a união e a relação de família.


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